Um novo estudo divulgado pelo portal Search Engine Land trouxe uma descoberta relevante sobre como o ChatGPT encontra produtos para exibir em seus carrosséis de recomendação.
A análise identificou que 83% dos produtos mostrados nesses carrosséis aparecem também entre os resultados do Google Shopping. O ponto mais importante, porém, está no mecanismo usado pela inteligência artificial para encontrar esses itens: um processo chamado shopping query fan-outs.
Na prática, isso significa que o ChatGPT não faz apenas uma busca para responder ao usuário. Antes de montar o carrossel de produtos, o sistema executa diversas consultas adicionais em buscadores e plataformas de comparação de preços para coletar resultados e montar a lista final.
O que são os “shopping query fan-outs”
O estudo mostra que o ChatGPT utiliza um processo chamado query fan-out, que consiste em expandir uma pergunta do usuário em múltiplas consultas de busca. Em vez de executar apenas uma pesquisa, o sistema gera diversas buscas menores e mais específicas, cada uma focada em encontrar produtos relevantes para compor a resposta.
Por exemplo, ao perguntar: “Quais são os melhores fones de ouvido com cancelamento de ruído?”, o modelo pode gerar consultas como:
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melhores fones com cancelamento de ruído;
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headphones noise cancelling top rated;
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sony wh-1000xm5 preço;
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bose quietcomfort comparação.
Cada uma dessas consultas busca resultados diferentes. Em seguida, o sistema reúne os produtos encontrados e monta o carrossel exibido na resposta do ChatGPT.
A forte presença do Google Shopping nos resultados
Ao analisar milhares de produtos exibidos nesses carrosséis, os pesquisadores identificaram um padrão claro.
Os dados mostram que:
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83% dos produtos aparecem também no Google Shopping;
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60% estão entre os 10 primeiros resultados do Google Shopping;
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84% aparecem entre as 20 primeiras posições;
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Apenas cerca de 11% têm correspondência com resultados do Bing Shopping.
Esses números indicam que o ChatGPT frequentemente utiliza resultados do Google Shopping como fonte indireta para recomendações de produtos. Ou seja, o posicionamento em buscadores e comparadores de preço pode influenciar diretamente quais itens aparecem nas respostas geradas por inteligência artificial.
Diferença entre buscas de conteúdo e buscas de produto
Outro ponto interessante revelado pelo estudo é que as consultas usadas para produtos são diferentes das consultas usadas para gerar respostas textuais.
As chamadas shopping query fan-outs costumam ser:
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mais curtas;
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mais objetivas;
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focadas em atributos de produto;
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voltadas para sistemas de comparação de preço.
Enquanto consultas de conteúdo costumam ter cerca de 12 palavras, as consultas de produto têm em média 7 palavras. Isso indica que o sistema adota uma lógica mais próxima de busca comercial, semelhante ao comportamento de usuários pesquisando produtos.
O que isso significa para o marketing digital
Para empresas e profissionais de marketing, essa descoberta reforça uma tendência importante: a visibilidade em inteligência artificial depende cada vez mais da presença em mecanismos de busca e plataformas de produto.
Se os carrosséis exibidos pelo ChatGPT são alimentados por resultados provenientes de buscadores e comparadores, estratégias como: SEO para e-commerce, otimização de feeds de produto, presença no Google Shopping e dados estruturados de produto passam a ter impacto também na visibilidade dentro de interfaces de IA.
Nesse novo cenário, uma Agência de Marketing Digital precisa considerar não apenas o ranking em mecanismos de busca tradicionais, mas também como os sistemas de inteligência artificial encontram e selecionam produtos.
Em resumo, quem aparece bem no ecossistema de busca tem mais chances de aparecer também nas respostas geradas por inteligência artificial.
