Um novo estudo conduzido pela Sagapixel, empresa especializada em marketing digital para o setor de saúde, analisou como usuários utilizam o ChatGPT para encontrar prestadores de serviços locais e revelou que, apesar da popularização da inteligência artificial como ferramenta de busca, o comportamento segue muito próximo ao modelo tradicional de pesquisa por palavras-chave.

A pesquisa observou usuários reais utilizando o ChatGPT para encontrar serviços como dentistas, dermatologistas, clínicas de estética, cirurgiões plásticos e outros profissionais da área de saúde e bem-estar. Os participantes foram instruídos a iniciar suas buscas diretamente na ferramenta e agir da forma mais natural possível, incluindo visitar sites, checar redes sociais e ler avaliações.

O objetivo do estudo era responder três perguntas centrais: se as pessoas realmente utilizam o ChatGPT de forma conversacional para buscar serviços; se as buscas por palavras-chave estariam se tornando irrelevantes; e se usuários estariam mantendo diálogos longos com a ferramenta quando a intenção é transacional.

75% das sessões continham buscas por palavras-chave

Os dados mostraram que 75% das sessões analisadas incluíam ao menos um prompt que poderia ser classificado como uma busca por palavras-chave tradicionais. Em vez de frases longas e detalhadas, os usuários frequentemente digitavam comandos curtos, como:

“dentist in chicago”
“dentists montgomery”
“botox by a doctor”

Segundo a Sagapixel, esse comportamento não chega a ser surpreendente. Frases curtas exigem menos esforço cognitivo e sempre fizeram parte do hábito de busca na internet. Expressões como “good plastic surgeons in brooklyn 11214 area” continuam entregando exatamente o tipo de resultado que o usuário espera.

O estudo também faz referência a uma análise anterior realizada pela própria empresa sobre o modo AI do Google, que já havia identificado um padrão semelhante: mesmo em ambientes de inteligência artificial, usuários seguem utilizando estruturas de busca muito próximas às dos mecanismos tradicionais.

Esse comportamento levou os pesquisadores a questionarem algumas premissas atuais do mercado de agência de SEO, especialmente a ideia de que a otimização para mecanismos generativos deveria obrigatoriamente transformar palavras-chave em frases longas e conversacionais. Para serviços locais, os dados indicam que isso pode ser desnecessário.

Buscas locais não são tão conversacionais quanto se imagina

Outro achado relevante foi o nível de interação dos usuários com o ChatGPT durante essas buscas. Quase metade das sessões (45%) foi resolvida com apenas um único prompt, sem qualquer tipo de pergunta de acompanhamento.

Além disso, em 34% dos casos em que houve um segundo prompt, ele se limitou a pedidos simples como “mostrar mais opções”.

Na prática, isso significa que, ao buscar serviços locais, o usuário médio do ChatGPT utiliza apenas 2,1 prompts por tarefa. A média varia conforme o tipo de serviço:

  • Encontrar um novo dentista: 2,41 prompts;

  • Encontrar um local para botox: 1,96 prompts;

  • Dermatologista para avaliar uma pinta: 1,71 prompts;

  • Transplante capilar: 1,33 prompts;

  • Quiroprata: 2,33 prompts;

  • Decisão por facelift: 2,00 prompts.

Segundo a Sagapixel, isso indica que a ideia de que usuários mantêm longas conversas com o ChatGPT para tomar decisões transacionais pode estar sendo superestimada.

O comportamento muda conforme a intenção

Os pesquisadores observam que o uso mais conversacional do ChatGPT existe, mas tende a ocorrer principalmente em buscas informacionais, não transacionais. Quando o usuário precisa efetivamente contratar um serviço, o padrão de comportamento se aproxima muito mais do modelo de busca do e ranqueamento no Google.

Outro ponto destacado é que muitos participantes utilizavam versões gratuitas do ChatGPT, o que pode influenciar a forma de interação. Com o tempo, esse comportamento pode mudar à medida que mais pessoas se acostumarem com interfaces baseadas em IA.

Ainda assim, o estudo aponta um fator decisivo, o menor esforço quase sempre vence. Se digitar poucas palavras já gera bons resultados, o usuário dificilmente optará por construir frases longas e elaboradas.

O levantamento foi conduzido por Frank Olivo, fundador da Sagapixel, e os dados completos, incluindo gravações de sessões, estão disponíveis publicamente no relatório original divulgado pela empresa.